Coisas que não fazem sentido – Itaquaquecetuba $urreal

Tudo começou com uma página no Facebook com o objetivo de denunciar os “altos preços” praticados na capital dos preços altos, o Rio de Janeiro, terra do meu Vascão. Todo mundo achou uma boa ideia*, e de repente surgiram várias cópias da página, adaptadas para cada cidade do país. O pessoal só esqueceu que existe uma coisa chamada lei da oferta e procura. De forma didática, para quem esqueceu das aulas da tia de Estudos Sociais (ainda existe isso?), não é porque um site diz que o preço de um produto está caro que ele irá diminuir. O preço só cai se as pessoas deixarem de comprar, o que significa que qualquer um pode cobrar quanto quiser pelo produto que vende, e ninguém é obrigado a pagar.

O mimimi é grátis!

surreal

Ps.: Esse post inaugura a restreeia* do site e o iníco da série “Coisas que não fazem sentido”,  que contém apenas e somente coisas que não fazem sentido.

Ps2.: Voltei a escrever… grande coisa.

* Da última vez que escrevi na Internet as palavras ideia e reestreia tinham acento.

 

Retro

Coming back in the Past..

Eu tenho uma regra na minha vida. Tenho tudo muito bem resolvido no meu passado. Está lá atrás, no tempo em que foi vivido. Não faz parte do meu presente, muito menos do meu futuro. O passado já é parte daquilo que somos agora. Na verdade, muito mais do que seria necessário. Por isso se chama passado. Foda-se. Caminhar no presente, não carregar arrependimentos e nunca olhar para trás. Essa é minha regra.

Milagre!!!

Segue mais um post intrigante colado dos gajos do Informação Incorrecta:

Milagre!!!

from Informação Incorrecta

Milagre!!! Milagre!!!

Meus senhores, vivemos num Mundo maravilhoso, esta é a verdade. E quem pensar o contrário é um estúpido conspiracionista.

Surgiu uma bactéria, a já conhecida Escherichia coli, na variante mais mortífera?
De repente milhares de laboratórios do planeta todo começam as pesquisas e, após 18 minutos, eis que surge o remédio: há a vacina!!!

Uma empresa farmacêutica do Canada, a sempre pouco louvada Bioniche Life Sciences Inc., acaba de patentear a primeira vacina do Mundo contra a E.coli.

Após ter digerido um empréstimo estatal de 25 milhões de Dólares, a Bioniche começou a trabalhar sem paragem, dia e noite, noite e dia, até que o milagre aconteceu: pegaram numa vaca que estava tranquilamente a pastar e a pensar no triste destino de ser vaca, injectaram no animal a bactéria e a vaca, com pressa de voltar a pastar, produziu logo os anticorpos.

Que, assim, podem ser retirados e injectados num outro animal, o homem.

Na Bioniche fazem questão de salientar que o procedimento é inócuo para a vaca.
E a vaca confirma.

Mas quantas vacinas podem ser produzidas? E quando? É que aqui na Europa é uma apocalipse, já podemos contar milhões…menos? Ok, milhares…não? Talvez centenas…nem por isso…mas quantos são? 22? Ok, então já temos uma mini-apocalipse com 22 mortos!!!

Resposta: 500 milhões de vacinas num ano, 100 milhões até o final de 2011 (contas um bocado esquisitas, mas enfim, eles são os cientistas, eles é que sabem…).

Doutro lado, alguém tinha previsto este final feliz.
Quem? A Novartis. A sempre pouco louvada Novartis.

Que há um ano atrás (exactamente um ano) publicou na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) os resultados dum estudo.

Os técnicos da Global Head of Vaccines Research of Novartis Vaccines and Diagnostics (wow!) conseguiram espreitar o genoma da Escherichia coli e perceber que os tempos estavam maduros.

Explica Rino Rappuoli, chefe da equipa:

A genómica oferece um potencial crescente em matéria de investigação, e individuámos antígenos que ninguém tinha identificado antes. Estes antígenos são capazes de proteger, em modelos que têm sido identificados, mas também estão presentes e conservados em quase todos os Escherichia, portanto, têm potencial para serem utilizados como componentes de uma vacina universal.

Isso foi há um ano.
Passados 12 meses, eis um surto de E.coli (variante “assassina”) ameaça a saúde do género humano e uma empresa do Canada anuncia ter a vacina.

Grande sorte a nossa.
A Novartis que antecipa o futuro, uma farmacêutica canadiana que tem a vacina específica contra a bactéria E.coli O157:H7, a mesma que flagela o Velho Continente…Nós, meros mortais, temos que curvar-nos perante a  Ciência e os seus  misteriosos poderes esotéricos.

Grande sorte mesmo.

Ipse dixit.

Fontes: The Globe And Mail, Helios

Duro de Matar

Então o Bin Laden morreu. Essa que foi a maior invenção americana de todos os tempos e que serviu para justificar duas guerras e 919.967 mortes em dez anos. Os americanos gastaram somente cerca de US$ 1.188.263.000.000 para matar o homem. Essa notícia surge exatamente no primeiro momento de desconfiança do eleitor americano com o governo de Obama. Provas… pra quê? Afinal, agora a América está a salvo. E essa emocionante história de glórias e conquistas vai virar filme de Hollywood.

Tem que ver isso aí…

Segue o excelente texto de Max, do Informação Incorrecta, para reflexão.

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BIN LADEN MORREU. OUTRA VEZ.
2 de maio de 2011

Sim, tudo bem, voltamos a falar de Bin Laden.

Afinal é a notícia do dia.

Por isso: Osama Bin Laden morreu.

Outra vez? Mas não tinha já morrido em 2002?

Sim, tinha. Mas o bom Bin sempre foi um tipo esquisito, por isso pode ser
que no futuro volte a morrer. É feito assim, é precisa paciência.

Ok, mas as provas? Há provas?

Claro que há.

Em primeiro lugar temos uma fotografia que a estação televisiva Geo Tv
transmitiu. Como em Internet nem todos são estúpidos, alguém reparou logo no
medíocre trabalho feito com o Photoshop. E a mesma Geo Tv foi obrigada a
admitir: a fotografia é falsa.

Qual o sentido de publicar uma falsa fotografia? Bah…

E porque ninguém nos Estados Unidos desmentiu? Bah, outra vez…

Mesmo assim, a fotografia é o mal menor. Alias, parece ser a prova melhor.
Vamos ver as outras.

Quem conseguiu justiçar o Senhor do Mal? Um commando dos Seals, os soldados
com a barba mais rija de todos os Estados Unidos.

De facto a operação não era fácil: os terríveis Seals tiveram que penetrar
num País não em guerra (o Paquistão), num território desconhecido
(Abbottabad, este o nome da aldeia), desértico (menos de uma hora da
capital, Islamabad) e hostil (na aldeia há vários quartéis do exército
paquistanês, um campo de treino, uma escola de oficiais e uma secção dos
serviços secretos).

Tudo, no meio duma multidão feroz (Abbottabad é frequentada por turistas).

O homem mais procurado do mundo numa aldeia turística, a menos de uma hora
de Islamabad, no meio de quartéis do exército e secções dos serviços
secretos?

Eu já disse que o bom Bin é um tipo esquisito.

Ao que parece, o Terror do Mundo Livre vivia nas profundezas duma gruta.

Não, desculpem: era uma pequeno bunker.

Não, nem um bunker: era uma vivenda.

E luxuosa também.

Por isso, num País em paz, mas sob a constante ameaça terrorista, com um
serviço de intelligence penetrante e poderoso, numa sociedade tribal, onde o
controle do território tem sido sempre nas mãos dos chefes de família, a
presença dum grupo de árabes numa luxuosa vivenda alugada passou
despercebida ao longo de muito tempo.
Sim, acho que faz sentido.

Por isso: avancemos.

Os 14 homens com as barbas rijas conseguiram assim penetrar na misteriosa
localidade e individuar os árabes camuflados no interior da luxuosa vivenda
camuflada de gruta.

Aqui começou um duro conflito armado, pois o bom Bin tentou resistir ao
grito de “Esperem que consiga desligar a máquina da diálise e vão ver!”; mas
as 14 barbas rijas conseguiram atingi-lo e entregar assim o homem mais
perigoso do mundo ao Criador.
Seja Ele quem for.

E a seguir? Simples imaginar a cena:

“Sargento de barba rija, posso tirar uma fotografia ao Terror do Mundo
Livre?”
“Não não é necessária, em breve a Geo Tv vai publicar uma. Em vez disso,
preparem-se para transportar o corpo”.

“Transportar? Epa, não, é pesado. Sargento, somos homens de barba rija mas
as costas doem”.

“Yeah, têm razão. E se começar a cheirar mal? Não, vamos fazer assim: vamos
fecha-lo no congelador”.

“Sargento, mas isso é incorrecto! É sempre o corpo dum ser humano, malandro
mas sempre humano. Um mínimo de respeito!”.

“Yeah, Então vamos fazer assim. Vamos sepulta-lo segundo a tradição
islâmica”.
“Boa! Mas como é esta tradição?”

“Todos os Islâmicos são sepultados no mar. E assim evitamos também que o
lugar se torne um local de peregrinação”.

“Genial, meu Sargento! E onde fica o mar?”

“Aqui pertinho: são apenas 1.300 quilómetros mais a Sul”.

Assim, os homens com a barba mais rija do que o aço carregaram o corpo do
malandro Bin ao longo de 1.300 quilómetros, pois a simpática aldeia de
Abbottabad fica bem no interior.

E uma vez alcançado o mar, onde supostamente havia também os navios da
Marinha dos Estados Unidos, o corpo foi deitado no mar, segundo a tradição
islâmica (sic!!!).

O leitor pernicioso poderia argumentar: “Mas porque tanta fadiga para
transportar o corpo até o mar e, uma vez chegados aos navios, não embarcar
os restos do bom Bin para os Estados Unidos?”

Ó leitor, vamos ver se percebe: os Seals são homens de barba rija, não uma
agência funerária. O transporte deveria ser pago pelos familiares, não por
eles. Como os familiares não apareceram (e não é difícil imaginar os Seals à
espera, na praia), eis que deram digna sepultura ao bom Bin. Segundo
tradição islâmica (!!!).

Barba rija mas cérebro fino: antes de deita-lo no meio das ondas, os Seals
retiraram algumas amostras para os testes de laboratório. E enquanto na ruas
dos Estados Unidos as pessoas festejavam como se tivessem ganho a Copa do
Mundo, eis que chega a confirmação do DNA: ao 99% é ele.

Moral da história: o Mundo é agora um lugar melhor.

Mais limpo, sem dúvida, mais justo.

Olho para fora da janela e parece-me que o Sol brilhe com mais intensidade.

Em verdade chove, mas não importa. Atrás das nuvens há o Sol e tenho a
certeza de que esteja a brilhar melhor.

Os Estados Unidos conseguiram eliminar um outro pedaço do Mal.

E não importa o facto deste pedaço ter sido um ex agente da Cia, nunca ter
sido ligado aos ataques do 11 de Setembro, ter morrido há 9 anos. Estes são
pormenores para pessoas de alma pequena, que não conseguem ver além dos
factos.

O que importa é que os Estados Unidos, ainda uma vez, confirmaram-se como o
Bem.

E o Bem triunfa contra o Mal.

Sempre.

Agora falta só um novo vídeo de Bin Laden para ter a certeza.

Aleluia!

Natal, a festa da mercadoria.

por Roberto Ponciano

Chegou o natal e as pessoas estão vítimas de uma espécie de embriaguez: comprar, comprar, comprar, comprar, comprar, comprar, comprar… As lojas cheias, pessoas se afogando em prestações, brinquedos e presentes eletrônicos caríssimos… é a grande celebração do Deus Manon, não o Deus Menino, o filho do homem, aquele que se fez carne para sofrer como todos nós, e que pobre, carpinteiro e operário, vagou pelo mundo pregando a igualdade e a solidariedade entre os homens. Aquele que disse, simplesmente: meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, revogam-se as disposições em contrário, esta lei entra em vigor na data de sua divulgação.

O que há de comum entre o nascimento do menino Deus, a encarnação do espírito vivo, aquele que veio distribuir o perdão entre todos os homens, que foi capaz de salvar a adúltera (ou prostituta, é sempre uma versão, a leitura) de ser apedrejada; que disse que não veio salvar os sãos, mas os pecadores, desta festa mercanditizada, com um velhinho gorducho do anúncio da coca-cola propagando o ide e consumi-vos, pois esta é a razão de viver!

Que solidariedade é esta que se faz não através do abraço e da compreensão, mas sim através da compra, venda e troca de mercadorias?

E o que falar então para aqueles que não tem acesso à grande festa da mercadoria, colocados de lado pelo grande templo do consumo, sem dinheiro para comprar os presentes desta troca insana, e que pedem apenas um pouco de pão para que não morram de fome enquanto a humanidade celebra o desperdício?

Que me contradigam e falem que estou exagerando, mas a insanidade que vejo nesta época, com pais sacrificados para dar o “brinquedo” ou a “viagem dos sonhos”, me faz perguntar, que espírito de natal é este!

Afinal, o cristo proletário, carpinteiro e filho de carpinteiro, nasceu numa manjedoura pobre, e seus presentes foram símbolos de adoração e não a festa do comprar. A pobre criança da manjedoura com certeza olha com reprovação quando a humanidade transforma sua mensagem em cifras.

Sim, porque para confraternizar basta uma mesa, um pouco de comida, solidariedade, conversas, abraços.

Na sociedade do desvinculo, onde a única pessoa que fala nas casas é a TV (este totem da solidão moderna, na qual existem milhares de meios de comunicação que não comunicam ninguém com ninguém) o natal seria, em tese, o momento em que as famílias se reúnem e celebram. Celebram mesmo? Se o ápice da festa é conferir se o presente mais caro do ano foi recebido ou não, qual o sentido desta confraternização?

Nem religioso, no sentido estrito sou, já que não sou membro de nenhuma igreja, mas, talvez, tenha entendido a mensagem do Cristo Vivo mais do que muitos religiosos. Afinal, como se pode ser solidário, um dia? Como se pode se celebrar a cristandade um dia? E nem falo da cristandade em termos de seguir uma religião, mas de seguir sua mensagem.

Solidariedade é para todos os dias, ou somos solidários, ou não somos. Amor, carinho, fraternidade, lutar pela igualdade, ou é para todos os dias, ou é para dia nenhum. Não adianta nada rasgar as vestes, bater no próprio corpo, arranhar o corpo com as unhas dentro de uma igreja, achando assim que se está seguindo a mensagem de Jesus, isto é apenas ritualística vazia.

O que fazes para que a terra, nosso planeta, seja o paraíso prometido por Jesus no Sermão da Montanha?

A mensagem que o Revolucionário que condenou a riqueza (passará um camelo por uma agulha, mas não um rico entrará no Reino dos Céus) foi a da igualdade e a da fraternidade, a da esperança, a da amizade entre todos os povos, a do perdão, a da fraternidade.

Que fizeste no dia de hoje, semana do natal para que nosso mundo seja mais igual? Qual foi a última vez que olhastes para um pobre como um irmão, não como uma ameaça? Qual foi a última vez que te apiadaste do destino dos desgraçados? Dos deserdados, dos que tiveram o grande azar de nascerem pobres ou paupérrimos, na sociedade de Manon, Deus da Mercadoria?

Para mim é esta a verdadeira e única mensagem de Cristo. E não dá para adorar dois deuses, ou se adora Cristo, ou se adora Manon (são palavras da bíblia). Posso não ser religioso, mas captei a mensagem da pregação Cristã, que no natal não celebramos a mercadoria, mas sim a nossa humanidade comum, nossa irmandade, que está em cada homem e mulher, independente de cor, raça, credo, etnia.

A humanidade que nos faz iguais está em muçulmanos e judeus, em negros e brancos, em evangélicos e espíritas, em pobres e ricos.

Portanto, ao celebrar o natal, penses que não é através do TER, da mercadoria, do comprar e gastar que estarás seguindo a palavra do filho do homem, do Deus Vivo. Mas sim através do SER, do compreender, do entender que a mensagem do natal é a mensagem da solidariedade, de que todos somos iguais e que é missão nossa então acabar com a desigualdade, que não é criação divina, muito pelo contrário, é uma criação do homem, que assim se tornou lobo do próprio homem.

Natal para mim é compreender, mais uma vez, que a missão de cada homem aqui é transformar a terra no nosso jardim, na nossa utopia, com paz e igualdade social.

via Balbúrdia das Letras